Michele Toardik

Michele Toardik de Oliveira, 38 anos, é advogada, mãe, sócia ininterrupta há mais de uma década e obsessivamente apaixonada pelo Furacão. Contrariou as imposições geográficas, tornando-se a mais atleticana de todas as "fluminenses". É figurinha carimbada nas rodas de resenha futebolística, tendo como marca registrada a veemência e o otimismo incondicional quando o assunto é o nosso Furacão.

 

 

Só um desabafo

25/02/2013


Será que agora que foi provado o quanto o Campeonato Paranaense não “nos” interessa, que os garotos já foram devidamente testados, que foi ressaltado o quanto alguns caras jamais poderiam ter vestido a nossa sagrada camisa, que o time principal foi submetido a uma Pré-Temporada de luxo, que fomos campeões internacionais, que foram compradas todas as brigas disponíveis, que foi perdido mais um Atletiba, que nosso Furacão foi “reduzido” a “CAP”, que já tivemos um colunista verde no nosso site oficial, que sequer podemos assistir aos jogos pela TV... já é possível pensar nas necessidades básicas do torcedor atleticano?

Infelizmente, a maioria dos atleticanos - assim como eu -, não é dotada de poderes extraordinários, visão estratégica acima da média, Eikebatismo, empreendedorismo nato, frieza, calculismo e sangue de barata. Por isso é mais do que justo que a gente perca a paciência, que se revolte e que queiramos viver intensamente o nosso Atlético.

E mesmo com restrições, falta de vocação pra negócio e a tendência exacerbada de tratar as coisas do futebol com o coração, a nossa torcida é tinhosa e tenta se adequar às transformações que a nova realidade futebolística impõe. Tanto é assim que saímos de casa numa boa pra viabilizar a Copa, mantivemos a associação mesmo que isso não seja garantia de presença no estádio e, mesmo não compreendendo a postura do nosso Presidente, compramos qualquer briga que ele se meta simplesmente pra defender a honra do nosso Furacão.

Mas o mais difícil mesmo é a sensação de que o futebol não é mais a prioridade, afinal não basta ser atleticano, ser sócio, ser fanático, é preciso ter MBA, ser especialista em marketing, entender de negócios, ter informações privilegiadas ou ter debaixo do braço a cartilha gigantista.

É impressão minha ou virou tabu falar de futebol enquanto estamos construindo o futuro?

Eu admito que sinto falta da época em que torcer não era considerado politicamente incorreto, de quando falar de Atlético se resumia a discutir o que se passava dentro das quatro linhas, o futebol-verdade e não idealismo político.

Lembro perfeitamente das rodas atleticanas onde relembrávamos jogos históricos, muita resenha, a construção de ídolos e causos.

Agora a onda é potencial construtivo, direito de transmissão, endeusamento de uns, exumação de outros, lendas que nascem da falta de informação, o receio de não podermos acompanhar o time no Brasileirão, ou a próxima façanha vanguardista da nossa Diretoria.

É pedir muito querer ver o meu time em campo? É ser exigente demais querer ver a camisa do meu amado Furacão sendo tratada com respeito?

Não quero me sentir culpada, burra ou menos importante para o meu Clube se eu simplesmente admitir que a Copa ou qualquer outro projeto não possuem o condão de me motivar da mesma forma que uma vitória de virada, um gol aos 46 do segundo tempo ou simplesmente reconhecer o meu time atuando com aquela raça que é sua marca registrada.

Pra mim, assistir a um jogo do meu time ainda é muito mais especial do que vencer uma queda de braço com a imprensa. Acompanhar o meu time ainda é muito melhor do que pensar a longo prazo.

E, nessa pegada, tentando conciliar o lado torcedora com a necessidade de adequação à realidade futebolística, antes mesmo do primeiro jogo no Estadual, me posicionei e afirmei que iria apoiar incondicionalmente o Furacão: “Sub-23, dente de leite, time de gandulas ou seja lá o que for: vestiu o manto, assinou a súmula e entrou em campo, contará com o meu apoio!”

Mas é chegada a hora de reconhecer que algumas coisas precisam ser revistas urgentemente e, a principal delas, é o retorno do elenco principal às suas atividades. Não há qualquer justificativa para que o nosso time não ingresse no Paranaense, assim como não existe a menor vantagem em manter o Sub-23 trotando nesse Estadual.

O time quer jogar, a torcida quer o time, qual a razão de impedir isso?

O returno será um bom complemento da Pré-Temporada e se realmente os campeonatos nacionais serão encarados com seriedade, a redoma tem que ser retirada agora!



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