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Entrevista | sexta-feira, 21 de setembro de 2012, 18h42

"Estou reaprendendo a viver", diz Rodolfo

Por: Monique Silva (Furacao.com)

Foto Destaque

"Estou me recuperando e quero ficar bem" [foto: Julia Abdul-Hak]

Suspenso por dois anos após ser pego no exame antidoping por uso de cocaína, o goleiro Rodolfo concedeu entrevista ao site Justiça Desportiva, na qual comenta sobre como está lidando com a recuperação e também sua expectativa para voltar ao futebol. Atualmente, o arqueiro encontra-se em tratamento em uma clínica de reabilitação, com o apoio total do clube, em busca de sua recuperação.

Confira abaixo a entrevista de Rodolfo ao site Justiça Desportiva:

Site JD: Antes de entrar no futebol profissional, você chegou a sonhar em trabalhar ou fazer outra coisa que não fosse jogar bola?
Rodolfo: Na verdade, não. Sempre sonhei com futebol desde pequeno. Comecei cedo e venho batalhando para isso. Tenho dois filhos, sou casado. Posso ser novo, mas já tenho uma família e o que quero é dar o melhor para eles. Sonho com o futebol. Não sei fazer outra coisa a não ser jogar futebol. E vou continuar com isso até o final da carreira.

Site JD: Você confessou que faz uso de drogas desde os 15 anos de idade, quando já jogava futebol. Consegue lembrar do seu rendimento em campo antes e depois de começar a fazer esse uso?
Rodolfo: Lembro muito bem. Eu estava no São Paulo Futebol Clube e fazia várias partidas boas. Não usava droga nenhuma e vinha mantendo um ritmo muito bom. Depois disso acabei caindo nessa vida das drogas e acabou baixando bastante meu rendimento. Eu conseguia controlar um pouco, mas como é uma dependência química, uma doença, não tem como você controlar. E depois de uns seis, sete meses para cá, isso foi se agravando até eu cair no doping e acabei tomando alguns gols que poderia ter pego. A droga atrapalha bastante.

Site JD: Em algum momento desses seis anos você pensou na hipótese de não atuar mais por conta disso? Chegou a ter essa consciência, de que poderia ser banido do futebol?
Rodolfo: Eu pensava bastante. Sabia que um dia poderia cair no doping e, foi que nem eu falei, se trata de uma dependência que você não tem controle. Você tem pensamentos e muitas formas de viver a vida. Mas, vivendo com a droga, você pode até pensar, mas ela não deixa você se controlar. Ela é quem controla você. A dependência é algo complicado. Tem que ter um tratamento e uma internação que nem eu tenho hoje. E, graças a Deus, estou me recuperando e quero ficar bem.

Site JD: Você é casado e tem dois filhos. Além da família, quem mais está te apoiando nessa recuperação? Tem recebido mensagem e incentivo de amigos que são jogadores de futebol?
Rodolfo: Sim. Até mensagens das pessoas da minha cidade, que é Santos. Meu pai e minha mãe, que moram lá. Meu irmão me apoiando, assim como minha esposa, filhos e enteada. Também amigos que jogaram comigo desde pequenos. A maioria está me apoiando. Sempre tem um ou outro que ainda critica, mas, depois desse treinamento, estou com a cabeça muito boa e não fico caindo em provocação. Sei me controlar agora e estou reaprendendo a viver.

Site JD: E os seus companheiros do Atlético, como é o apoio deles?
Rodolfo: Acho que todos lá são meus amigos sinceros. Todos estão me apoiando. Fiz amigos dentro da clínica também. É sempre muito bom fazer novos amigos. Tem bastante pessoas especiais que estão me apoiando lá dentro, como os terapeutas e os psicólogos.

Site JD: Esse apoio do Atlético está sendo fundamental para você?
Rodolfo: Eu tenho que agradecer ao Atlético. Porque, se não fossem eles, acho que nenhum clube iria me apoiar depois desse julgamento. Agradeço muito ao Atlético, ao presidente, ao vice-presidente e ao Dr. Moro (Domingos Moro, advogado do clube). Acho que eles estão me ajudando muito e só tenho que agradecer.

Site JD: Seu caso chegará ao Pleno do STJD, que decidirá sobre a sua pena. No caso dela ser mantida, o que tem grandes chances de acontecer, o que você espera desse período em que ficará afastado? Acha que o seu sonho de permanecer no futebol será mantido?
Rodolfo: Sim. Vai continuar. Posso ficar dois anos parado, mas estarei treinando e me fortalecendo para, quando voltar, voltar bem e esquecer esse período que eu tive.

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