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Entrevista | terça-feira, 25 de agosto de 2009, 11h16

Ma'a As'salama, Kamali!

Por: Patricia Bahr (Furacao.com)

Foto Destaque

Kamali: O Atlético é um ótimo clube e estava muito feliz [foto: site oficial/arquivo]

A saudação Ma'a As'salama é uma das mais clássicas do mundo árabe e significa “vá em paz”. E é esse o sentimento dos torcedores atleticanos para o jovem Abdullah Al Kamali. Desde a última segunda-feira (dia 17 de agosto), Kamali não é mais jogador do Atlético, encerrando uma curta temporada de um ano e três meses no futebol brasileiro. O desejo de sair, de voltar para casa, foi uma iniciativa do próprio jogador, que agora pretende terminar a faculdade e atuar em uma equipe profissional nos Emirados Árabes Unidos. “Depois disso, estarei apto a dar sequência em minha carreira em qualquer país que me ofereça um bom contrato”, revelou em entrevista exclusiva à Furacao.com.

Kamali chegou no Atlético em 21 de maio de 2008, entrando para a história como o primeiro jogador de futebol do mundo árabe a ser contratado por um clube brasileiro. O jovem atleta, que se profissionalizou no Brasil (em seu país ele jogou apenas em divisões de base), teve poucas oportunidades no time atleticano. No ano passado, ele disputou duas competições internacionais pelo time de Juniores do Furacão, sagrando-se campeão na Alemanha e na Holanda. Depois, foi integrado ao time Sub-23 do Atlético, na disputa da Copa Paraná. Em 2009, houve a primeira chance no elenco profissional, fazendo a pré-temporada com o time principal, chegando a atuar nos minutos finais do jogo entre Atlético e Londrina, na Arena, pelo Campeonato Paranaense. Kamali também disputou o jogo amistoso contra o FC Dallas, na Arena, e marcou dois gols. No Campeonato Brasileiro, ficou no banco de reservas em dois jogos, contra Corinthians e Flamengo.

Na última segunda-feira, dia 17 de agosto, Kamali embarcou rumo aos Emirados Árabes Unidos. Na bagagem, levou recordações e uma fantástica experiência do futebol brasileiro. Mesmo tendo poucas oportunidades, o jovem jogador de 19 anos reconhece que aprendeu muita coisa em sua passagem pelo Atlético. Lá dos Emirados Árabes Unidos, ele concedeu uma entrevista exclusiva por e-mail para a equipe da Furacao.com. Confira:

Seu contrato com o Atlético terminou em 17 de agosto. Você pretendia ficar no clube?
O Atlético é um ótimo clube e estava muito feliz. Mas preciso de mais chances para jogar em qualquer lugar. No clube, me deram o sinal verde para renovar até dezembro, porém achei melhor retornar aos Emirados Árabes e jogar lá.

Quando você chegou ao clube, você sabia algo do Atlético?
Procurei me informar sobre o time e sua história para ter uma idéia do meu futuro clube, já no dia que recebi o contrato.

Você esteve no Atlético um pouco mais de um ano e jogou apenas algumas partidas. Você acha que teve oportunidades para mostrar suas habilidades nesse período?
Acredito que não, o que me deixa realmente confuso é que não tive uma chance real de mostrar o que joguei na Alemanha e Holanda (nos amistosos com o time de Juniores). Com o time de Juniores eu marquei 7 gols e ainda joguei contra o FC Dallas e marquei outro gol. Nas poucas chances que tive mostrei alguma coisa, mas não tive aquilo que realmente poderia chamar de “chance”.

Quais foram seus melhores e piores momentos no Brasil?
O pior foi quando cheguei ao Brasil e não falava uma palavra em português. O melhor, quando entrei contra o Iraty no time Sub-23 e marquei o gol aos 47 do segundo tempo.

Como os jogadores do Atlético recepcionaram você? Como vocês lidaram com essa barreira da comunicação?
Eles foram fantásticos comigo, realmente todos eles são legais e grandes amigos. Primeiramente, conversamos em inglês, mas quando comecei a falar português as coisas ficaram mais fáceis para mim.

Você acha que o Atlético realmente chegou perto de ser patrocinado pela Emirates Airlines? A sua contratação teve algo a ver com esse assunto?
Eu acho que sim, talvez pelo fato de o Atlético trazer um jogador árabe, de mesma nacionalidade da companhia área. Eu acredito que isso poderia sim agregar valor à negociação.

Mesmo jogando poucas partidas, esse intercâmbio com o futebol brasileiro valeu a pena? Com essa experiência aqui no Brasil você aprimorou suas habilidades?
Claro, acredito que melhorei bastante. Tenho 19 anos de idade e estava jogando com jogadores de muita qualidade. Então, sem dúvida, levarei tudo o que aprendi aqui nesse período.

Pensando no futuro, quais são seus objetivos na carreira? Você pretende voltar aos Emirados Árabes ou vai tentar outro centro futebolístico na Europa ou Ásia?
Eu prefiro agora voltar a jogar nos Emirados Árabes e também terminar minha universidade. Depois disso, estarei apto a dar sequência em minha carreira em qualquer país que me ofereça um bom contrato.

Quando você chegou, existia a possibilidade de você ser uma ponte do Atlético com o mercado do Oriente Médio. Você irá atuar como uma espécie de “embaixador” do Atlético nos Emirados Árabes Unidos, ajudando a divulgar a imagem do clube por lá?
Claro, se antes você falasse do Atlético no Oriente Médio, dificilmente muitas pessoas conheceriam o clube porque o Campeonato Brasileiro não é transmitido por aqui. A maioria das pessoas conhece apenas alguns clubes como Cruzeiro, São Paulo, Flamengo e Corinthians.

Colaboração: Victor Ferreira
Agradecimentos: Issam Ibrahim

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